quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Apartheid Social

O regime do apartheid acabou oficialmente em 1990, porém ao voltar os olhos para a sociedade é possível perceber que o regime não morreu completamente. O Brasil não participou oficialmente do regime separatista entre brancos e negros mas manteve a escravidão no país por mais de 300 anos e continua a manter um preconceito mascarado.
O nosso país possui uma população de maioria negra e afro descendente  porém nem sempre nos reconhecemos como realmente somos, tentamos nos americanizar e adotar conceitos de uma cultura que foge de nossas origens, desprezando aspectos da cultura afro como a religião, a culinária e a dança. Muitos tentam “esconder” o racismo e informar ao mundo que somos uma nação de “igualdade” de “raças”, sexos e religiões, mas o apartheid social continua a nos perseguir, afinal o que pode ser considerado o regime nas universidades públicas? Talvez essa ainda seja a única maneira de uma pessoa que passou toda a sua vida escolar em unidades educacionais mal estruturadas e com um conteúdo e materiais preparados para o “não aprender”, porém fazer parte do regime de cotas é como manter um bilhete/autorização para circular entre os brancos e os favorecidos de nossa sociedade; como se os negros, indígenas e pobres não tivessem o direito de freqüentar o ambiente e estivessem ali apenas pela benevolência do senhor escravocrata.
O preconceito é apresentado em diversas formas e graus, ainda somos obrigados a conviver com clichês relacionados á falta de esforço e vagabundagem do negro e muitos ainda elevam seu grau de “racismo” ao ponto de afirmar ainda a superioridade do branco e os malefícios da mestiçagem.
É preciso lembrar também que assim como no período do tráfico negreiro os africanos contribuíam para a escravização de sua própria gente ainda hoje existem  negros que não se reconhecem como tal  ou acreditam na separação das etnias  e na manutenção da cor, indo contra qualquer tipo de miscigenação .
Alguns negros acabam se sobressaindo e viram marcos históricos e exemplos de vida, entre aqueles de maior destaque podemos citar Nelson Mandela, Martin Luther King, Barack Obama, Zumbi dos Palmares.
O Brasil vem evoluindo em questões de políticas de desenvolvimento e divulgação de campanhas contra o preconceito mas ainda falta muito para que o racismo desapareça de nosso cotidiano pois a ideologia  e a mentalidade são conceitos difíceis de ser mudados e vivemos em um país que tratou durante muito tempo essas pessoas como animais, objetos a serem vendidos e utilizados a bel prazer, onde ser pobre é ruim; ser pobre e negro é muito ruim e ser pobre, negro e mulher é péssimo. Ainda precisamos abandonar essa mentalidade colonialista e de superioridade onde o fator cor ainda é decisivo para determinar até mesmo a índole e a ética de um ser, formando-se um pré- conceito baseado apenas na tonalidade da cútis. Esse apartheid moderno precisa ser desfeito, os muros da desigualdade devem ruir mesmo que com muito esforço e muita paciência para que o homem olhe para o outro e consiga se ver no outro, vivendo em um mundo único que sirva de moradia para todos sem distinção.
Talvez todo esse discurso de igualdade e fraternidade seja mera utopia mas é preciso acreditar em um mundo utópico e com possibilidades (mesmo que remotas) de se torná-lo realidade para continuar a crer que o homem é um ser racional e capaz de viver e conviver em sociedade.

Quando se faz a fusão de um terço de racismo, com a mesma porção de discriminação e ainda somando-se a isto mais um terço de indiferença com o próximo, obtém-se a fórmula infalível do maior câncer sofrido pela humanidade.
(Teorilang, acesso em abril – 2010)