quinta-feira, 1 de março de 2012

Ciclo do Ouro (MG)

Por Fernando Rebouças

Na História do Brasil, o ciclo do ouro é compreendido como o período em que vigorou a extração e exportação do ourocomo principal atividade econômica na fase colonial do país. Ocorrera após o declínio da produção açucareira no Brasil, época em que Portugal buscara novas fontes de renda na colônia.
ciclo do ouro2ciclo do ouroAs primeiras minas foram encontradas pelos bandeirantesno atual estado de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. O auge do ciclo do ouro no século XVIII, gerou uma grande corrida em busca do metal precioso.
A extração exigia investimentos em mão-de-obra, equipamentos e  a aquisição de terrenos auríferos. A extração do ouro ficou nas mãos dos grandes proprietários rurais e comerciantes.
A Coroa Portuguesa adquiria lucro por  meio da cobrança de taxas e impostos, ou seja , o explorador que encontrasse e extraísse o ouro deveria pagar o quinto à Coroa Portuguesa. O imposto era cobrado pelas Casas de Fundição, onde as pedras eram derretidas e transformadas em barras.
O quinto significava 20% (um quinto, daí o nome do imposto) de cada quantidade apresentada e era encaminhada para Portugal. Porém, haviam desvios e sonegações que, quando descobertos, eram penalizados duramente.
Além do quinto, havia a derrama que exigia o envio anual de 1500 kg de ouro para Portugal; e a capitação, imposto cobrado por cada escravo utilizado como mão-de-obra na extração das minas.

Fonte: http://www.infoescola.com/brasil-colonia/ciclo-do-ouro/




Tratado de Methuen

No século XVIII, a descoberta de ouro em terras brasileiras apareceu como uma alternativa econômica que poderia salvar os combalidos cofres da Coroa Portuguesa. Os gastos realizados com o processo de restauração da monarquia nacional (que marcou o fim da União Ibérica), a perda de posses coloniais espalhadas pela Ásia e as oscilações do preço do açúcar no mercado europeu compunham uma série de problemas enfrentados pelo Estado lusitano naquela época.

Contudo, a extração de toneladas e mais toneladas de ouro do território brasileiro não conseguiu viabilizar uma acumulação de capitais que pudesse novamente organizar a economia metropolitana. Na verdade, boa parte dos metais e pedras preciosas extraídas do Brasil serviu para saldar uma exorbitante quantidade de dívidas que o governoportuguês contraiu com as grandes potências econômicas europeias, principalmente a Inglaterra.

De fato, a dependência econômica de Portugal em relação aos ingleses marca um período histórico da economia europeia. Enquanto os lusitanos perdiam o antigo posto de nação rica e desenvolvida, galgado entre os séculos XVI e XVII, a Inglaterra alcançava as condições que a transformaria na maior potência econômica do mundo entre os século XVIII e XIX. Para entendermos estas situações distintas, podemos tomar a assinatura do Tratado de Methuen como um interessante exemplo histórico.

Em 1703, esse acordo firmado entre ingleses e lusitanos estabelecia a compra dos tecidos ingleses por parte de Portugal, enquanto a Inglaterra se comprometia a adquirir a produção vinícola dos lusitanos. Com isso, a especulação sobre a garantia de compra dos ingleses sobre o vinho de Portugal ampliou enormemente o número de terras cultiváveis destinadas ao plantio de uva. Por conseguinte, a demanda da economia lusitana por produtos importados aumentou bastante.

Conforme apontado por vários pesquisadores interessados no assunto, a Coroa portuguesa conseguiu montar um enorme império mercantil, mas não buscou meios eficientes e sistemáticos para dinamizar sua economia interna. As expressivas quantias obtidas com a atividade colonial eram revertidas na forma de gastos que somente mantinham o elevado padrão de vida dos nobres e membros da família real portuguesa.

A assinatura do Tratado de Methuen não pode ser considerada como a origem única de todos os males que atingiram a economia de Portugal. No entanto, ele ressalta bem as condições políticas e econômicas distintas de cada uma das nações envolvidas na situação. Com o passar do tempo, a dependência econômica portuguesa se agravou e o ouro encontrado em terras brasileiras serviu para tapar o grande déficit que dominava as finanças de Portugal.
Por Rainer Sousa
Mestre em História


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

São Paulo: GOVERNADORES DO ESTADO


Você sabia que São Paulo já foi governado por capitães-generais e presidentes?
Ao longo da história do Brasil, a denominação do governante modificou-se algumas vezes. Além de Governadores, já tivemos Presidentes de Estado e de Província, Interventores, Capitães-Generais, Donatários e Capitães-Mores.
Abaixo, apresentamos uma pequena amostra das informações sobre os governantes paulistas. Para ter acesso ao conteúdo completo sobre esse tema, consulte os arquivos disponíveis para download no menu ao lado.

DONATÁRIOS E CAPITÃES-MORES: Nos primórdios da colonização (de 1533 a 1753)

Em 1530, o rei de Portugal D. João III enviou uma expedição ao Brasil para tomar posse e colonizar as terras brasileiras efetivamente. Isso ocorreu somente após 30 anos da dita descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral. O comandante designado para essa expedição foi Martim Afonso de Souza.
O sistema de Capitanias Hereditárias foi criado por D. João III, visando um melhor controle e exploração das terras brasileiras, e dividiu o território brasileiro em faixas, que iam do litoral até a linha do Tratado de Tordesilhas. A administração dessas faixas (capitanias) era encaminhada aos chamados donatários, que também podiam explorá-las e colonizá-las. A sucessão dos donatários era feita hereditariamente, portanto, de pai para filho. Esse sistema vigorou, sob diversas formas, no período colonial até o século XVIII, quando o sistema de hereditariedade foi extinto pelo Marquês de Pombal em 1759.
Os donatários passavam mais tempo na metrópole do que, propriamente, na capitania. Por essa razão eles delegavam a administração da capitania aos capitães-mores. O capitão-mor era nomeado pelo próprio donatário pelo período de três anos. A partir de 1669, o capitão-mor era nomeado pela Coroa, mediante uma lista de três nomes, fornecida pelo donatário ao rei. Do ponto de vista historiográfico, é difícil definir com precisão as datas e nomes dos capitães-mores, em razão da insuficiência da documentação existente.
São Paulo teve donatários no período de 1533 a 1753 e capitães-mores de 1533 a 1709 (considerando a sua origem na Capitania de São Vicente).
No início da colonização portuguesa, o território brasileiro foi dividido em faixas que foram chamadas de Capitanias Hereditárias que perduraram até 1759.

GOVERNADORES e CAPITÃES-GENERAIS: Quando São Paulo chegou a pertencer a Minas e ao Rio de Janeiro (de 1710 a 1821)

Poucos anos após ser criada, a Vila de São Vicente tornou-se capital da Capital de mesmo nome. Esse território estendia-se do litoral sul do que hoje é o Estado de São Paulo até o sul do Rio de Janeiro. Mais tarde, a Capitania de São Vicente foi dividida em duas e a parte ao norte se tornou a Capitania do Rio de Janeiro, que englobava territórios de São Paulo, Minas Gerais, Góias, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.
Somente em 1709, a coroa portuguesa cria a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, desmembrando-a da Capitania do Rio de Janeiro. Foi então que iniciou o período dos Governadores e Capitães-Generais, designação dada aos comandantes militares que eram incumbidos da administração de seus territórios.
A administração realizada por Governadores e Capitães-generais deu-se, em São Paulo, de 1710 a 1821.

GOVERNADOR (de 1821 a 1824 - período de transição da Colônia para o Império)

No período de 1808 a 1821, houve governos interinos e provisórios. Em outubro de 1821, quando a forma da administração política e militar do Brasil alterava-se provisoriamente, a denominação para os dirigentes das Províncias é mudada para "Governador".

PRESIDENTES DE PROVÍNCIA (de 1824 a 1889)

Em 1823, D. Pedro I assinou uma Lei Imperial (datada de 20 de outubro) dando nova forma aos Governos das Províncias, criando para cada uma delas um Presidente e um Conselho. Através desta lei as Juntas Provisórias eram extintas e eram criados os cargos de "Presidentes".
O primeiro Presidente da Província de São Paulo nomeado foi Lucas Antonio Monteiro de Barros, cujo governo foi de 01/04/1824 a 05/04/1827.
Cerca de 53 presidentes se seguiram até o advento da República.

GOVERNADORES E PRESIDENTES DE ESTADO (de 1889 a 1930)

Grandes mudanças ocorreram com a Proclamação da República, em 1889. Cada Estado teria a sua própria constituição e governante.
Em São Paulo, formou-se de 16/11/1889 a 14/12/1889 um governo provisório formado por Prudente José de Moraes Barros, Francisco Rangel Pestana e Joaquim de Souza Mursa. O primeiro acabou sendo o governador de São Paulo de 14/12/1889 a 18/10/1890.

INTERVENTORES E GOVERNADORES (de 1930 até o momento)

Anos depois, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, devido a sua vitória na Revolução de 1930 (também conhecida como "Revolução de Outubro", e que tinha como objetivo derrubar Washington Luís), formou-se, de início, um Governo Provisório, que acarretou na suspensão da Constituição de 1891.
A forma de governar passa a ser através de decretos-leis (atos do Executivo com força de lei), já que todos os órgãos legislativos haviam sido dissolvidos. Nesse período, foram nomeados interventores para os Estados.
Em 16 de julho de 1934 foi promulgada uma nova Constituição. De acordo com ela, seriam eleitos Governadores e representantes dos Estados no Senado Federal, pelas Assembléias Constituintes dos Estados. Para tanto, após 90 dias da promulgação desta Constituição, seriam realizadas eleições dos membros da Câmara dos Deputados e dessas Assembléias Constituintes.
Mesmo assim, o Governo poderia realizar intervenções nos Estados e nomear um Interventor Federal.
Na prática, São Paulo teve interventores até 1947, havendo de forma intercalada mandatos de Governadores eleitos.
De 1947 até o momento, tivemos somente governadores.

Fonte: http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/saopaulo-governadores.php
O Regimento para as Minas. A Intendência das Minas
A Coroa portuguesa tratou de agir buscando controlar, aos poucos, aquela área. Institui, em 19 de abril de 1702, o Regimento do Superintendente Guarda Mores e Oficiais para as Minas de Ouro, estabelecendo a autoridade real na administração da atividade mineradora.
A propriedade anterior não foi questionada, uma vez que as descobertas ocorreram em terras ainda não ocupadas pelos colonizadores e colonos.
Imagem 1

No Regimento, mantido com algumas alterações até o Império, criava-se o cargo do Intendente das Minas, cujas atribuições independiam das outras autoridades coloniais, só prestando contas e obediência ao governo da Metrópole. Entre as múltiplas funções cabia a este administrador, que na maioria das vezes desconhecia a mineração, a cobrança do quinto, assim como a supervisão de todos os serviços executados nas lavras (terreno de onde se extraía metais e pedras preciosas).
Imagem 2A Intendência tinha também como responsabilidade a distribuição das datas, terrenos auríferos demarcados em lotes. Ao descobridor da jazida cabia o direito de escolher a sua data. Esta variava de tamanho de acordo com o número de escravos que o minerador possuísse. Assim, eram dadas 2 ½ braças (antiga medida linear de comprimento, equivalente a cerca de 5,5 .m2) por escravo, até o máximo de trinta. Este sistema de distribuição era excludente. Privilegiava os indivíduos de maiores posses: quem fosse proprietário de um maior número de cativos, teria uma data maior.
Onde houvesse extração de ouro criava-se uma Intendência cuja atribuição, com o tempo, reduziu-se a cobrar o quinto e a fiscalizar os descaminhos do ouro, atividade para a qual estava bem aparelhada.







Ciclo do Ouro (imagens)

Bateia (peça em forma de bacia)




Vila Rica


Vila Rica ( atual Ouro Preto)


Igreja de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo





Bandeirantes










Monumento aos Bandeirantes



O Ciclo do Ouro 


Quando os primeiros exploradores chegaram ao Brasil, o maior objeto de desejo era o ouro, metal precioso o bastante para manter o fausto das cortes européias. As excursões pioneiras pelo litoral e até pelo interior foram frustrantes. Nada parecia haver naquela terra além de natureza pródiga, solo fértil e índios pagãos. Qualidades estas, aliás, para as quais os exploradores davam pouca ou nenhuma importância.

Nas margens do Tripuí foram encontradas as pepitas de ouro que mudaram a história do Brasil

Qual das montanhas de Minas seria Sabarabuçu?
 
Foi no contato com os índios que os estrangeiros se deram conta que algo de muito valioso se escondia nos recônditos do Brasil. Não faltavam histórias sobre uma terra distante, onde o ouro brotava no leito dos rios. No alto de suas montanhas podiam ser retiradas pedras de magníficas cores, verdes e azuis... O nome de uma dessas serras era Sabarabuçu, mas havia outras, muitas outras.
A Corte Portuguesa desincentivava as jornadas pelo interior, com receio de que a corrida lhe tirasse o controle sobre o que viesse a ser descoberto. Mas não foi possível segurar a força das lendas, que finalmente provariam ser a mais pura verdade. A primeiras expedições, conforme consta em alguns estudos, se deram já no séc. XVI. Não foram bem sucedidas e muitos aventureiros não voltaram para contar o que viram na terra virgem e hostil. Somente no final do século seguinte se daria o achamento das primeiras e tímidas lavras de metais.
"Bandeira" era o nome das grandes incursões pelo país naqueles tempos. As "bandeiras" que penetraram Minas inicialmente partiam do planalto de Piratininga, em São Paulo. A de Fernão Dias, em 1674, tinha por finalidade encontrar Sabarabuçu, o Eldorado. Foram sete longos anos de trabalho árduo, nos quais poucas pedras foram encontradas. No entanto, a jornada revelou grande parte do imenso território. Dos pousos para descanso das tropas de Fernão Dias surgiriam mais tarde núcleos povoados, cujo papel foi fundamental para a colonização do estado.
Fernão Dias morreu em 1681, nas proximidades da cidade de Caeté, talvez frustrado por não ter encontrado as esmeraldas que buscava. Talvez tivesse pensado que o ouro e as pedras estavam mais ao norte, ainda mais distantes nas entranhas do Brasil. Se pensou assim estava errado. Mal sabia ele que tinha alcançado Sabarabuçu e que só faltou procurar mais um pouquinho. Seus companheiros continuariam seu trabalho, entre eles seu filho Garcia Rodrigues Paes e seu genro Borba Gato, que abriram importantes caminhos para o interior.
 
Ouro faz brotar do chão uma história
Produção de ouro nas Minas Gerais
1697
1699
1705
1715
1739
1744
1754
1764
115 Kg
725 Kg
1,5 Ton
6,5 Ton
10 Ton
9,7 Ton
8,8 Ton
7,6 Ton
O tão sonhado ouro por fim se acharia nos fins daquele século XVII. E era muito, muito ouro, opulentas minas. O mais provável é que o descobridor tenha sido um paulista, Antônio Rodrigues Arzão, que não pôde concluir seu feito por causa da animosidade dos índios que caçava. Bartolomeu Bueno de Siqueira assumiu, com as informações que recebeu, a busca pelo metal. Descobriu em 1694, nos arredores de Itaverava, jazidas cujas amostras de ouro foram levadas para o Rio de Janeiro, para apreciação do Governador, que tinha jurisdição sobre todas as descobertas.
Pico do Itacolomi, referência para os primeiros bandeirantes (Mariana - MG)

Câmara e Cadeia (Mariana - primeira capital da província das Minas Gerais)

Mina de ouro (Ouro Preto - MG) Belas paisagens no caminho do ouro (Cachoeira do Campo - MG)
 
Em 23 de junho de 1698, a "bandeira" comandada por Antônio Dias de Oliveira chegou aos pés de um pico, chamado Itacolomi. Ali seriam lançados os fundamentos de uma fabulosa cidade, por cujas ruas percorreriam o ouro e os ideais de liberdade: nascia a inesquecível Vila Rica (atual Ouro Preto), que foi capital da província até o final do século XIX. Em 1709 era criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. No início da mineração, o ouro encontrado no leito dos rios obrigou os garimpeiros a viverem como nômades. Esgotada a lavra partiam para outras mais lucrativas. A população encontrava-se bastante dispersa. Os imigrantes vinham de todo lugar, ansiosos por fazer riquezas naquele novo Eldorado. Quando o ouro começou a ficar escasso nos rios, a extração passou para as encostas das montanhas. O trabalho de cavar exigiu que o minerador se fixasse. As minas foram surgindo e junto a elas os núcleos povoados. O ouro parecia brotar em todo lugar. Sabarabuçu, Cataguás ou Cataguases, Caeté, do Rio das Mortes, Itambé, Itabira, Ouro Preto, Ouro Branco etc. Eram enfim muitas minas, ou melhor dizendo, "Minas Gerais". Já em 1701 o nome começou a ser usado, sendo oficializado em Carta Régia de 1732.
A ambição dos imigrantes origina o primeiro grande conflito pelo ouro: a guerra dos emboabas, que envolveu paulistas e demais imigrantes. Em decorrência disso, a Coroa Portuguesa criou em 1720 a Capitania das Minas, desmembrada de São Paulo. Passou a controlar duramente a extração, recolhendo 20% de tudo que era produzido, o chamado quinto. As atividades agrícola e manufatureira praticamente não existem. Apenas uma agricultura de subsistência e criação de pequenos animais, como o porco. Os demais produtos chegam às regiões mineradoras no lombo de burros. A província cresce rapidamente e com ela a carência por produtos de primeira necessidade. Os mercadores ambulantes também se estabelecem nos povoados. Surge o primeiro grande mercado consumidor do Brasil. Tudo é comercializado, de escravos africanos a artigos importados da Europa. A abertura do Caminho Novo, por Garcia Rodrigues Paes, intensificou ainda mais a troca de mercadorias, ligando o Rio de Janeiro às regiões mineradoras. O ouro fez com que a capital da Colônia se transferisse de Salvador, na Bahia, para a cidade do Rio de Janeiro em 1763.
A intensa mistura de pessoas tão diferentes em um mesmo ambiente, impulsionadas pelo poder do ouro, deu início a uma nova sociedade. Portugueses, paulistas, negros, índios e outros imigrantes se misturavam e formaram um mosaico cultural. Até então vigorava no Brasil a rígida sociedade dos engenhos, com sua estrutura paralítica, cujos rumos eram ditados pelos Senhores, principalmente os das grandes fazendas de açúcar. A incipiente e efervescente sociedade mineira tinha características mais democráticas, os padrões de conduta não eram tão rígidos e a ascensão social era mais fácil. Até mesmo um escravo, numa bateada feliz, podia enricar e comprar sua liberdade. A combinação da vida urbana com a atividade mineradora cria novos ofícios, desenvolvendo um novo embrião de classe média. São escultores, músicos, tropeiros, pintores, marceneiros, alfaiates, entalhadores, advogados, poetas... Um Estado Moderno nasce no Brasil, com administração burocrática, fiscalização e arrecadação de impostos.
 Os diamantes também escreveram a história de Minas (Diamantina - MG)

Igreja São Francisco de Assis, obra-prima do Barroco Mineiro (Ouro Preto - MG) Igreja N.Sra. do Ó, pequena jóia do Barroco Mineiro (Sabará - MG)

Teto da Igreja São Francisco de Assis (Ouro Preto - MG)
Nesse ambiente tornou-se possível o surgimento de um movimento artístico e cultural sem precedentes no Brasil. As vilas se tornam prósperos redutos, onde floresce uma rica arquitetura. As artes tomam impulso, lembrando em muito o renascimento europeu. Vigora o mecenato e mestres como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Manuel da Costa Ataíde encontram o ambiente perfeito para exercerem sua genialidade. O Barroco Mineiro impressiona por seu esplendor, sua força e dramaticidade. É uma arte de fervor religioso, teatral e encontrou em Minas o cenário perfeito para se estabelecer.



Fonte: http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/geral/port/ouro.asp

Bandeirante Domingos Jorge Velho


Bandeirantes - Entradas e Bandeiras
História dos Bandeirantes, o período das Entradas e Bandeiras na História do Brasil Colonial, expansão do território brasileiro, escravidão indígena, descobrimento das minas de ouro na época colonial da História do Brasil



Introdução 
Os Bandeirantes foram os homens valentes, que no princípio da colonização do Brasil, foram usados pelos portugueses com o objetivo de lutar com indígenas rebeldes e escravos fugitivos.
Atividades e importância histórica 
Estes homens, que saiam de São Paulo e São Vicente, dirigiam-se para o interior do Brasil caminhando através de florestas e também seguindo caminho por rios, o Rio Tietê foi um dos principais meios de acesso para o interior de São Paulo. Estas explorações territoriais eram chamadas de Entradas ou Bandeiras. Enquanto as Entradas eram expedições oficiais organizadas pelo governo, as Bandeiras eram financiadas por particulares (senhores de engenho, donos de minas, comerciantes). 
Estas expedições tinham como objetivo predominante capturar os índios e procurar por pedras e metais preciosos. Contudo, estes homens ficaram historicamente conhecidos como os responsáveis pela conquista de grande parte do território brasileiro. Alguns chegaram até fora do território brasileiro, em locais como a Bolívia e o Uruguai
Do século XVII em diante, o interesse dos portugueses passou a ser a procura por ouro e pedras preciosas. Então, os bandeirantes Fernão Dias Pais e seu genro Manuel Borba Gato, concentraram-se nestas buscas desbravando Minas Gerais. Depois outros bandeirantes foram para além da linha do Tratado de Tordesilhas e descobriram o ouro. Muitos aventureiros os seguiram, e, estes, permaneceram em Goiás e Mato Grosso dando início a formação das primeiras cidades. Nessa ocasião destacaram-se: Antonio Pedroso, Alvarenga e Bartolomeu Bueno da Veiga, o Anhanguera. 
Outros bandeirantes que fizeram nome neste período foram: Jerônimo Leitão (primeira bandeira conhecida), Nicolau Barreto (seguiu trajeto pelo Tietê e Paraná e regressou com índios capturados), Antônio Raposo Tavares (atacou missões jesuítas espanholas para capturar índios), Francisco Bueno (missões no Sul até o Uruguai). 
Como conclusão, pode-se dizer que os bandeirantes foram responsáveis pela expansão do território brasileiro, desbravando os sertões além do Tratado de Tordesilhas. Por outro lado, agiram de forma violenta na caça de indígenas e de escravos foragidos, contribuindo para a manutenção do sistema escravocrata que vigorava no Brasil Colônia.
Você sabia?
- É comemorado em 14 de novembro o Dia dos Bandeirantes.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Apartheid Social

O regime do apartheid acabou oficialmente em 1990, porém ao voltar os olhos para a sociedade é possível perceber que o regime não morreu completamente. O Brasil não participou oficialmente do regime separatista entre brancos e negros mas manteve a escravidão no país por mais de 300 anos e continua a manter um preconceito mascarado.
O nosso país possui uma população de maioria negra e afro descendente  porém nem sempre nos reconhecemos como realmente somos, tentamos nos americanizar e adotar conceitos de uma cultura que foge de nossas origens, desprezando aspectos da cultura afro como a religião, a culinária e a dança. Muitos tentam “esconder” o racismo e informar ao mundo que somos uma nação de “igualdade” de “raças”, sexos e religiões, mas o apartheid social continua a nos perseguir, afinal o que pode ser considerado o regime nas universidades públicas? Talvez essa ainda seja a única maneira de uma pessoa que passou toda a sua vida escolar em unidades educacionais mal estruturadas e com um conteúdo e materiais preparados para o “não aprender”, porém fazer parte do regime de cotas é como manter um bilhete/autorização para circular entre os brancos e os favorecidos de nossa sociedade; como se os negros, indígenas e pobres não tivessem o direito de freqüentar o ambiente e estivessem ali apenas pela benevolência do senhor escravocrata.
O preconceito é apresentado em diversas formas e graus, ainda somos obrigados a conviver com clichês relacionados á falta de esforço e vagabundagem do negro e muitos ainda elevam seu grau de “racismo” ao ponto de afirmar ainda a superioridade do branco e os malefícios da mestiçagem.
É preciso lembrar também que assim como no período do tráfico negreiro os africanos contribuíam para a escravização de sua própria gente ainda hoje existem  negros que não se reconhecem como tal  ou acreditam na separação das etnias  e na manutenção da cor, indo contra qualquer tipo de miscigenação .
Alguns negros acabam se sobressaindo e viram marcos históricos e exemplos de vida, entre aqueles de maior destaque podemos citar Nelson Mandela, Martin Luther King, Barack Obama, Zumbi dos Palmares.
O Brasil vem evoluindo em questões de políticas de desenvolvimento e divulgação de campanhas contra o preconceito mas ainda falta muito para que o racismo desapareça de nosso cotidiano pois a ideologia  e a mentalidade são conceitos difíceis de ser mudados e vivemos em um país que tratou durante muito tempo essas pessoas como animais, objetos a serem vendidos e utilizados a bel prazer, onde ser pobre é ruim; ser pobre e negro é muito ruim e ser pobre, negro e mulher é péssimo. Ainda precisamos abandonar essa mentalidade colonialista e de superioridade onde o fator cor ainda é decisivo para determinar até mesmo a índole e a ética de um ser, formando-se um pré- conceito baseado apenas na tonalidade da cútis. Esse apartheid moderno precisa ser desfeito, os muros da desigualdade devem ruir mesmo que com muito esforço e muita paciência para que o homem olhe para o outro e consiga se ver no outro, vivendo em um mundo único que sirva de moradia para todos sem distinção.
Talvez todo esse discurso de igualdade e fraternidade seja mera utopia mas é preciso acreditar em um mundo utópico e com possibilidades (mesmo que remotas) de se torná-lo realidade para continuar a crer que o homem é um ser racional e capaz de viver e conviver em sociedade.

Quando se faz a fusão de um terço de racismo, com a mesma porção de discriminação e ainda somando-se a isto mais um terço de indiferença com o próximo, obtém-se a fórmula infalível do maior câncer sofrido pela humanidade.
(Teorilang, acesso em abril – 2010)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Boas Vindas

Caros e nobres colegas....
boas vindas a todos e a mim mesma....rsrs
que esse blog contribua para uma construção crítica da nossa realidade....